O
QUE É INTEGRAÇÃO SENSORIAL
O cérebro recebe constantemente grandes quantidades de informação
através dos sentidos. É através deles que a criança,
conforme aprende a se mover, equilibrar-se e relacionar-se com os
objetos e pessoas aos seu redor , aprende sobre o mundo em que vive.
O cérebro organiza toda a informação recebida
para possibilitar uma resposta. Essa organização que
o cérebro dá à informação sensorial
é chamada de integração sensorial. Ela permite
que dirijamos nossa atenção para produzir comportamento
útil e adaptativo e para que nos sintamos bem sobre nós
mesmos.
No início da vida o cérebro desenvolve a organização
que será a estrutura para comportamento e aprendizagem posteriores.
Nesses primeiros anos, os movimentos espontâneos, as brincadeiras
que envolvem o corpo todo, são muito eficazes em desenvolver
o sistema nervoso.
O cérebro humano frequentemente tem sido comparado a um computador.
Ele depende da informação que recebe do ambiente através
dos sistemas sensoriais. Depende de informação visual,
auditiva , tátil, olfativa e gustativa. Além disso,
precisa também de informação sobre gravidade
e movimento. O cérebro reune todas essas sensações
e as organiza para um plano de ação.
Distúrbio na recepção e organização
das informações sensoriais recebidas sobre o mundo vai
afetar o desempenho nas demais áreas. Quando a criança
não recebe informações sensoriais importantes
de forma clara e concisa, pode não estar recebendo o “alimento”
que o cérebro precisa para o processo de aprendizagem. Assim,
vemos crianças muito inteligentes, que não produzem
de acordo com o potencial intelectual que possuem. Podemos então
suspeitar que exista uma dificuldade no processamento sensorial
ALGUNS
SINAIS DE PROBLEMAS NA INTEGRAÇÃO SENSORIAL
1.
Falta de força e tônus muscular, o que pode resultar em
má postura e fadiga
2.
Má consciência espacial e desenvolvimento pobre da percepção
de posição, resultando em insegurança durante os
movimentos.
3.
Falta de coordenação entre os dois lados do corpo. A criança
pode ficar desajeitada e confusa quando as duas mãos precisam
trabalhar em conjunto, como para atividades de cortar ou escrever.
4.
Falta de coordenação entre os olhos e o corpo, de modo
que há uso ineficaz de informação visual para auxiliar
no desempenho de ações.
5.
Atenção de curta duração. A criança
geralmente tem dificuldade em focaliza nas tarefas que precisa fazer.
6.
Lentidão ao desempenhar ou aprender tarefas motoras novas, uma
vez que precisa pensar sobre cada movimento que faz. Desajeitada, bate-se
nas coisas ou cai muito parecendo não ver os obstáculos
no caminho.
7.
Comportamento hiperativo; a dificuldade em concentração
faz com que perceba todas as coisas ao mesmo tempo e não consiga
se concentrar em uma só.
8.
Sentido tátil mal desenvolvido, fazendo com que não goste
de ser tocada, tenha dificuldade em aprender sobre a forma e textura
das coisas. Por outro lado, pode não perceber seu espaço
pessoal e tocar demais as pessoas, chegar perto demais.
9.
Criança extremamente difícil para se alimentar: só
come comidas com um certo tipo de textura, ou na mesma temperatura.
10.
Apresenta medo excessivo, isola-se
11.
Dificuldade em graduar a força que precisa para manipular objetos
ou tocar as pessoas.
12.
Problemas em usar e entender linvuagem, resultando em problemas na fala,
leitura e escrita. Problemas na articulação da fala sem
razão aparente
Essas
dificuldades tendem a aparecer tanto no lazer quanto no trabalho. Podem
não se relacionar bem com os companheiros ou ter de fazer tanto
esforço que não se divertem. Nem todos esses sinais precisam
estar presentes e geralmente não estão presentes ao mesmo
tempo. A intensidade com que aparecem e o número deles que a
criança apresenta vão determinar o quanto interferem em
sua habilidade de aprender.
O
QUE PODE SER FEITO
O
brincar é a melhor forma de desenvolver a integração
sensorial. Desde pequena a criança naturalmente procura as atividades
que promovem uma boa integração da informação
recebida através dos sentidos. Ao se movimentar, aprende sobre
os limites do seu corpo dentro do espaço que a rodeia. Ao manipular
objetos, aprende sobre seu peso, textura, força que precisa para
segurá-los. Toda essa informação é recebida
para o cérebro, organizada e armazenada, possibilitando que a
criança aprenda cada vez mais sobre o mundo em que vive.
O mundo moderno, a vida nas grandes cidades, eliminou uma grande parte
do brincar que propicia esse aprendizado natural através das
brincadeiras motoras e sensoriais. Cada vez mais a criança está
confinada em um espaço, sem oportunidade para as explorações
que seu cérebro precisa para se desenvolver. Defrontamo-nos então
com uma criança que não sabe canalizar sua energia, organizar
seu espaço e se torna mais ativa do que o desejável. Existe
uma certa dificuldade em atingir o nível de alerta que o cérebro
precisa para realmente se beneficiar do processo educativo. Como pais
e professores podemos dar oportunidades enriquecidas para que nossas
crianças brinquem de forma a desenvolver melhor a integração
sensorial e aprender melhor.
Nos casos em que a informação não é integrada
da forma que deveria ser, dizemos que existe uma disfunção
de integração sensorial (DIS). Podem então surgir
problemas na aprendizagem, auto-estima, relacionamento social ou hiperatividade.
Quando há suspeita de que a criança apresenta disfunção
de integração sensorial, é indicada uma avaliação
por terapeuta ocupacional com especialização nessa área.
Dependendo dos resultados da avaliação pode ser indicada
uma terapia com uma abordagem de integração sensorial.
O termo “disfunção de integração sensorial
(DIS)”é um termo guarda-chuva. Sob ele se abrigam várias
sub-áreas:
1. Distúrbios de modulação, que incluem:
• Defensividade tátil
• Defensividade sensorial
• Insegurança gravitacional
• Intolerância a movimento
2. Distúrbios de coordenacão
• Integração bilateral e sequenciamento
• Dispraxias (ou dificuldade de planejamento motor)
Um aspecto importante da terapia de integração sensorial
é que a motivação da criança e o brincar
é que são as ferramentas usadas. Através de um
ambiente sensorial enriquecido, recomendações de uma “dieta
sensorial” para o lar e brincadeiras que levam a criança
a perceber melhor o mundo ao seu redor, essa criança pode desenvolver
melhor integração sensorial e vir a produzir de acordo
com seu potencial intelectual.