O
SISTEMA VESTIBULAR:
De todos
os sitemas sensoriais sobre os quais falamos dentro da teoria de integração
sensorial o que pode ser o mais importante e o mais difícil
de entender é o sentido vestibular. Este sistema sensorial
se desenvolve apenas algumas semanas após a concepção
e desempenha um papel muito importante no desenvolvimento inicial
da criança. Provavelmente foi também um dos sistemas
mais importantes para nossos ancestrais durante a evolução.
Entretanto, não é muito familiar para muitas pessoas.
As crianças não aprendem sobre ele quando aprendem sobre
os sistemas sensoriais básicos e se os adultos conhecem esse
sistema, podem apenas ter consciência de que tem algo a ver
com equilíbrio. Maior compreensão sobre o sistema vestibular
vai ser útil para a compreensão dos tipos de problema
que as crianças podem ter assim como os métodos que
usamos para corrigir esses problemas.
Como sabemos, há partes de nossos ouvidos e olhos que absorvem
sons e visões e mandam informação para nosso
cérebro. As partes do sentido vestibular que absorvem informações
a serem mandadas para nosso cérebro estão localizadas
no ouvido interno. Uma parte é um conjunto de canais cheios
de fluido que respondem a movimento e mudança de direção
A outra parte é uma estrutura como uma bolsa que responde a
mudança de posição da cabeça e ao empuxo
da gravidade. A informação sobre movimento e posição
da cabeça que vem através dessas estruturas é
mandada para muitas partes do cérebro. Esta é uma das
principais razões pela qual nos preocupamos tanto com este
sistema sensorial – tem muitas funções diferentes
que são importantes para nossa habilidade de fazer tantas coisas.
Uma função importante do sistema vestibular nos permite
coordenar os movimentos dos nossos olhos sem mover a cabeça.
Isto ocorre em atividades tais como copiar da lousa (olhar para cima
e para baixo) virar a cabeça para observar um objeto em movimento
(tal como uma bola no campo de futebol) e mesmo às vezes olhar
em uma página para ler. Essas funções do sistema
vestibular provavelmente ajudam a explicar porque vários estudos
mostraram que até metade das crianças com distúrbios
de aprendizagem mostram sinais de disfunção vestibular.
O sistema vestibular também é importante para ajudar
a desenvolver e manter tônus muscular normal. Tônus não
é o mesmo que força muscular, mas permite que mantenhamos
o corpo em posição ereta e mantenhamos posições
diversas. O sistema vestibular é especialmente importante em
ajudar as crianças a manter a cabeça ereta. Muitas crianças
com problemas vestibulares debruçam-se sobre a carteira, apoiam
a cabeça nas mãos e parecem ter menos energia.
Equilíbrio também é muito influenciado pelo sistema
vestibular. Além disso, a habilidade de coordenar os dois lados
do corpo em conjunto, como para andar de bicicleta ou cortar com tesoura
também depende de boa função vestibular. Finalmente,
alguns aspectos da linguagem parecem intimamente relacionados com
o modo pelo qual o sistema vestibular processa informação.
Considerando todas essas funções básicas e importantes
, não é difícil perceber como um problema vestibular
pode criar um problema real que entretanto é invisível.
O QUE VOCÊ
PODE FAZER PARA AJUDAR
1. Experiências
de movimento são muito importantes para a criança em
desenvolvimento. Assegure-se de reservar tempo para atividades como
balançar, escorregar, etc.
2. Incentive movimentos iniciados pela criança de preferência
a movimentos passivos.
3. Experimente verificar se é mais fácil para a criança
ficar sentada para trabalhar após atividade física (especialmente
como balançar, andar de bicicleta). O sistema vestibular geralmente
tem um efeito imediato sobre o sistema nervoso e, para algumas crianças,
essas atividades podem tornar o trabalho na carteira mais fácil.
4. Incentive atividades em que a criança deita de barriga para
baixo e mantém a cabeça. Tente brincar com “Legos”
nessa posição, ou fazer com que jogue objetos em um
alvo enquanto deitado de barriga para baixo.
5. Incentive atividades bilaterais tais como pular corda, nadar, remar,etc.
Discuta
essas atividades com a terapeuta de seu filho e veja se são
apropriadas para ele. Não force uma criança a balançar
se isso causa medo. Deixe a criança iniciar a brincadeira e
daí faça algumas sugestões.