Insegurança
Gravitacional – Medo exagerado?
Esta é uma pergunta feita muitas vezes pelos pais no consultório.
Esse medo às vezes faz com que crianças não consigam
participar de brincadeiras ou até apresentar um atraso na aquisição
dos marcos de desenvolvimento
Insegurança gravitacional define-se como um medo desproporcional
ao tamanho do desafio. Todos nós temos medos, em diferente
gráu de intensidade, de certos brinquedos, movimentos, etc.
Quando esse medo interfere com a nossa habilidade funcional no dia
a dia, poderíamos dizer que existe um problema de insegurança
gravitacional. Assim, crianças que consistentemente escolhem
brincadeiras sedentárias, que preferem não ir ao parquinho
ou quando vão, escolhem o tanque de areia, permanecem à
margem de brincadeiras de movimentos, começamos a suspeitar
de um problema de insegurança gravitacional. Algumas vezes
as crianças conseguem e gostam de atividades de movimento mas
têm de se sentir completamente em controle antes de conseguir
executá-las. Qualquer movimento inesperado ou intervenção
de outra pessoa a assusta e faz desistir ou entrar em pânico.
Nossa habilidade de nos relacionar com a gravidade e relacionar nossos
corpos ao espaço ao nosso redor é muito básica.
Este sentido, que vem do sistema vestibular, é verdadeiramente
o aspecto mais fundamental de desenvolver um senso de segurança.
Como bebês, começamos a desenvolver um sentimento de
confiança conforme nos movemos pelo espaço e nosso sistema
nervoso dá informações exatas sobre em que direção
estamos indo, com que velocidade e de que modo estamos orientados
no espaço. Somos capazes de perceber essas coisas quando nossa
cabeça muda de posição, através de estimulação
de uma parte do sistema vestibular que reage ao empuxo gravitacional
da terra. Assim, desde que a mãe pega o bebê do berço
e o embala ou dança com ele o sistema vestibular está
sendo ativado e sendo preparado para tarefas mais complexas de movimento
e para orientação espacial no futuro.
Crianças que não percebem gravidade da forma usual geralmente
têm muito medo de movimento, altura e/ou mudança de posição
da cabeça. Este tipo de problema é frequentemente chamado
de “insegurança gravitacional”.
A maioria de nós pode imaginar se sentir ameaçado por
estar à beira de um precipício ou se sentir desorientado
ao ser movido no espaço tão rapidamente que não
sabemos imediatamente o que é para baixo ou para cima. Para
alguns indivíduos entretanto, a menor mudança na posição
ou altura cria um sentimento extremo de desorientação,
medo e ansiedade. É muito difícil para quem não
tem essa reação imaginar o que deve ser experimentá-las.
Se você não pode confiar em seu corpo para se mover pelo
espaço, é difícil confiar em alguém ou
alguma coisa. É interessante observar que existe um fator muito
forte de se sentir em controle do movimento nestas sensações
de insegurança gravitacional. É frequente ver tais crianças
subindo em mesas ou se colocando em situações de perigo
real; entretanto, o sistema nervoso delas naquele momento não
registra alarme porque a criança está se sentindo em
controle da situação. Basta porém que aconteça
um movimento inesperado para que essa criança entre em pânico.
Como é tão difícil entender esse problema, frequentemente
pode parecer que alguém que tem insegurança gravitacional
tem um problema de comportamento ou psicológico. Embora seja
certamente fácil imaginar como se poderia desenvolver problemas
psicológicos ou comportamentais a partir de uma insegurança
gravitacional, a base do distúrbio é obviamente neurológica.
A maioria das crianças passa por períodos em que reagem
com um pouco de medo a alguns tipos de movimento ou altura. Há
muitas diferenças indivíduais no modo pelo qual as pessoas
reagem a altura ou movimento rápido. Entretanto, quando o medo
começa a interferir na habilidade de participar em atividades,
pode existir um problema. Alguns dos sinais que são considerados
sugestivos de insegurança gravitacional incluem:
• Desconforto ou choro ao ser tirado do berço, movido
de um lugar para o outro , no caso de bebê
• Ansiedade quando os pés saem do chão, por ex.
ao sentar em um balanço ou rede
• Medo não natural de altura ou cair
• Intolerância a ficar de cabeça para baixo
• Medo ou insegurança em superfícies instáveis
ou escadas
• Medo de ser virada de costas
Um
outro problema relacionado é chamado de “intolerância
a movimento”. A característica principal deste problema
é uma reação extrema a movimento que geralmente
é manifestada por sinais fisiológicos tais como náusea
e enjoo. Indivíduos com esse problema tendem a enjoar em carro
ou em barcos. Não se conhece tanto sobre esse problema quanto
sobre insegurança gravitacional, mas o observamos em crianças
que têm outros problemas de integração sensorial.
A principal diferença é que as reações
apresentadas são de caráter fisiológico , não
apenas de medo.
O
QUE VOCÊ PODE FAZER PARA AJUDAR
1. Reconheça que esse é um problema real para a criança
e respeite suas reações a diversas situações.
Tratar isso como uma fraqueza emocional ou problema de comportamento
provavelmente tornará o problema pior.
2.
Ajude a criança a se envolver gradativamente em atividades
que são ameaçadoras. Por exemplo, se a criança
se assusta estando em balanço, experimente primeiro um em que
os pés toquem o chão, ou segure-a no colo em um balanço.
Inicie com movimento lento e rítmico
3.
Propriocepção extra, ou pressão nos músculos
e articulações e no tronco às vezes ajudam a
criança a se sentir mais segura. Por exemplo, se a criança
tem medo enquando sobe escadas, tente segurá-la pelo quadril
e aplicar pressão suave. Isso pode fazê-la se sentir
mais confiante que quando segura as mãos.
4.
Movimento suave, para a frente e para trás, é geralmente
mais fácil de ser tolerado que movimento rotatório.
Tente mover a criança da forma mais confortável primeiro.
5.
Geralmente é muito ameaçador ser virada para trás.
Não tente esse tipo de movimento até que a criança
esteja pronta para tolerá-lo.
6.
Envolver-se em brincadeira e faz de conta durante atividades assustadoras
pode ajudar a distrair dos aspectos mais assustadores da situação.
7.
Pratique alguns movimentos enquanto a criança fica com os olhos
fechados. Isso pode ajudá-la a perceber melhor a posição
de seu corpo no espaço .
8. Às vezes, colocar pesos ( por exemplo no pulso ou tornozelo
ou uma mochila com pacotinhos de arroz ou feijão) ajuda a criança
a se sentir mais segura. Usar uma roupa bem justa, tipo uma camiseta
de “espandex” por baixo da roupa também ajuda a
criança a se conscientizar mais dela no espaço e diminuir
o medo assim como acalmar um pouco.
Converse
com a terapeuta para verificar se essas atividades são apropriadas
para sua criança e peça mais sugestões.