DEFENSIVIDADE
SENSORIAL e DORMÊNCIA SENSORIAL – UMA QUESTÃO DE
MODULAÇÃO
Como recebemos constantemente informações sobre o mundo
através dos sentidos, eles precisam desenvolver a capacidade
de filtrar o que é mais importante para o momento e para as
atividades que estão acontecendo. Assim, na escola existe uma
infinidade de informação sensorial chegando concomitantemente.
É preciso que o sistema nervoso central da criança tenha
a habilidade de filtrar o que não é necessário
para o momento e ignorar. Assim por exemplo, enquanto escrevo, meu
vizinho se mexe, sinto o cheiro do shampoo que ele usou de manhã,
escuto a voz da professora, sou tocada de leve por alguém que
vai apontar o lápis . Ao mesmo tempo tenho de manter minha
postura para conseguir escrever , preciso avaliar a força que
devo fazer para segurar o lápis e preciso evitar derrubar tudo
que está sobre a carteira.
Todas essas informações são secundárias
ao momento mas estão presentes. Quando se tem um sistema sensorial
bem integrado, ele é capaz de colocar em primeiro plano apenas
as informações que preciso para aquela atividade fazendo
com que o resto seja colocado em segundo plano ou seja executado automaticamente.
Se houver um fator novo que afete uma dessas informações
que são secundárias , minha atenção se
volta para esse fator ; caso contrário, continuam em segundo
plano. Isso é o que nos permite manter o estado de alerta necessário
para aprender.
Para a criança que tem um distúrbio na modulação
sensorial esses filtros são deficitários e muitos dos
automatismos não se formam. Ela é levada a responder
a toda informação sensorial que chega sem conseguir
que se formem automatismos necessários por exemplo para manutenção
da postura ou para saber intuitivamente quanta força usar para
manusear objetos. Essa criança dificilmente está no
estado de alerta ideal para aprender. Quando consegue atingir esse
estado, isso exige um esforço muito grande e requer um auto-controle
fora do comum. Muitas vezes ela passa a manhã na escola tentando
manter esse estado de alerta; quando chega em casa, desmorona, briga
com todo mundo, parece uma criança diferente.
Alguns sintomas de defensividade sensorial são:
•
Responder a todos os sons ambientais, mesmo aqueles que ninguém
mais parece perceber;
• Cobrir os ouvidos quando ouve sons que a desagradam;
• Assustar com frequência excessiva;
• Comentar ou ser incomodada por cheiros que ninguém
mais parece perceber;
• Ser incomodada por luz ou claridade excessiva
• Ficar fascinada por perfumes ou cheiros que a agradam
• Evita tocar certas texturas ou se recusa a vestir certas roupas
Os
sentidos estão muito ”acesos”, sempre presentes;
parece não haver filtro e tudo chega com a mesma intensidade.
Evidentemente é difícil para essa criança ficar
quieta e trabalhar como os demais. Por exemplo, se o colega lá
atrás derruba um lápis, ela precisa olhar. Se alguém
trouxe um lanche com banana, ela precisa comentar. Tem necessidade
de tocar a roupinha do colega para saber que textura tem. Acaba dando
uma impressão de hiperatividade e tem terrível dificuldade
em se concentrar.
Um outro aspecto que se encontra às vezes é uma dormência
sensorial. A criança responde a menos à informação
trazida pelos sentidos. É o exato oposto do caso anterior:
Características dessa criança são:
•
Às vezes tem dificuldade em saber quando está saciada;
tende a comer mais que o esperado para a idade;
• Gosta de todos os tipos de comida
• Ignora sons ambientais incomodativos
• Não reage quando se fala com ela, muitas vezes havendo
suspeita de deficiência auditiva
• Não reage a cheiros desagradáveis, tais como
as próprias fezes
• Toca tudo que encontra; anda passando a mão pela parede
• Aperta as outras crianças, animais, gosta de morder
ou ser mordida
• Consciência de dor diminuida; por exemplo, desde pequena
não chora ao cair ou ao tomar uma injeção
• Demora muito a conseguir um controle esfincteriano adequado
Tanto
os sintomas descritos para dormência sensorial como para defensividade
sensorial não são uma lista completa – são
apenas exemplos. Ambos os problemas são uma questão
de modulação. Integração sensorial não
é uma questão de ter ou não ter. É um
contínuo em que o ideal é estar na linha média
– nem muito à direita nem muito à esquerda.
Dormência
sensorial______Boa Integração Sensorial______ defensividade
sensorial
Esses
problemas podem ser bastante diminuidos com a ajuda de uma terapia
com uma abordagem de integração sensorial